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Carta ao Editor

Speech therapy, breastfeeding and COVID-19: information to speech therapist

Fonoaudiologia, amamentação e COVID-19: informações aos fonoaudiólogos

Vanessa Souza Gigoski de Miranda; Rafaela Soares Rech; Márcia Angélica Peter Maahs; Monalise Costa Batista Berbert; Sheila Tamanini de Almeida

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Abstract

During the first months of 2020, a new virus spread rapidly to countries around the world, SARS-CoV 2. The World Health Organization (WHO) called the disease caused by this virus Coronavirus Disease 19 (COVID-19)1. The most common manifestations of COVID-19 are fever, cough and fatigue or myalgia, sputum production and headache2-4.

Previous coronavirus data (SARS-CoV and MERS-CoV) showed that pregnant women could be in risk groups with a higher chance of morbidity and mortality than the general population5. However, little is known about COVID-19 in this population5. In a study conducted in Wuhan6 - the city's first epicenter of the disease, researchers reported nine live births to mothers positive for COVID-19, and all samples were negative for the virus in neonates. Their findings supported that there is currently no evidence of vertical transmission in infected mothers in late pregnancy6.

Although COVID-19 can affect individuals of all age groups, the disease is generally milder in children than in adults, especially in neonates7. The most common clinical symptoms in the pediatric population include fever, fatigue and dry cough. Some patients have upper respiratory manifestations, such as nasal obstruction, nasal discharge and sore throat, and others have gastrointestinal symptoms, such as abdominal discomfort, vomiting, abdominal pain and diarrhea6.

Currently, there is no evidence that the Corona Virus can be transmitted through breast milk, but it is known that an infected mother can transmit the virus through respiratory droplets during breastfeeding8. In a study carried out with six newborns of infected mothers, who were breastfeeding their babies, all samples were negative for the virus6.

The speech therapist who needs to evaluate babies of confirmed and / or suspected mothers of COVID-19 should follow the recommendations for the use of protective tools like other health professionals: hats, goggles, protective clothing, gloves, N95 masks. Neonatologists advise that no visits should be allowed for newborns with a diagnosis, or with mothers with suspected or diagnosed COVID - 197. The breastfeeding guidelines of the Italian Society of Neonatology (SIN), endorsed by the European Union of Neonatology and Perinatal Societies (UENPS) are: if a mother previously identified as COVID - 19 positive or under suspicion for COVID - 19 is asymptomatic at the time of delivery, direct breastfeeding is advisable, under strict infection control measures; and when a mother with COVID-19 is too sick to care for the newborn, the newborn will be treated separately and fed fresh expressed breast milk, without the need to pasteurize it, as there is no evidence that human milk COVID-198 transmitter is possible.

According to the Disease Prevention Control Center (2020), measures must be taken to reduce the chance of viral transmission during breastfeeding, such as: avoid kissing the newborn, protect him from adult cough, wear a mask while breastfeeding, clean hold hands before feeding and suspend visits. In addition, when the baby is in joint accommodation with the sick mother, the baby must remain at a distance of at least 2 meters from the mother, with the presence of a physical barrier between them, such as a curtain9,10. The WHO also advises that surfaces that the contaminated mother has contact be cleaned and disinfected regularly1.

As for the storage of human milk, the WHO recommends that mothers with suspected or confirmed COVID -19 use the same precautions indicated at the time of breastfeeding: hand hygiene, wearing a mask, disinfecting contact surfaces. They indicate that the container that received the human milk must have the external part disinfected after its extraction, with adequate sanitary solutions, before storage in milk banks, wards or in the postpartum's own residence11. With the spread of the disease, and the growing number of pregnant women and mothers who may have symptoms - but in testing for the virus - the WHO recommendation is that all mothers who donate and receive milk from human milk banks follow these recommendations. hygiene pre, peri and during receipt of the bottle. Still, for mothers infected with COVID-19 who need to express milk in a hospital using pumps, these devices must be for the individual use of this puerperal woman11,12.

There is little and fragile evidence regarding COVID-19 and breastfeeding so far, as well as in other areas. Science is taking shape and institutions are drawing up their recommendations according to the course of the disease's evolution. It has been identified that breastfeeding is, so far, indicated in cases of suspected and confirmed COVID-19, with infection control9-11 and hygiene. In addition, all mothers who donate and receive milk from human milk banks must disinfect the bottles before handling, even if they do not show symptoms of the virus.

The Brazilian Society of Pediatrics said in a note, to be favorable to the maintenance of breastfeeding in mothers with COVID-19, given the current evidence13. The speech therapist as an active member in Health Education, has a positive role and intervention in the guidance of breastfeeding14, must be updated and following the new recommendations of major international organizations, as well as the dentist and other health professionals, as adequate breastfeeding stimulates growth and harmonious craniofacial development15.

Resumo

Durante os primeiros meses de 2020, um novo vírus se espalhou rapidamente para países do mundo todo, o SARS-CoV 2. A Organização Mundial da Saúde (OMS) denominou a doença causada por este vírus de Coronavirus Disease 19 (COVID-19)1. As manifestações mais comuns do COVID-19 consistem em febre, tosse e fadiga ou mialgia, produção de escarro e dor de cabeça2-4.

Dados de coronavírus anteriores (SARS-CoV e MERS-CoV) mostraram que as grávidas poderiam estar em grupos de risco com chance de ter morbimortalidade maior que a população em geral5. Porém, pouco se sabe sobre o COVID-19 nessa população5. Em um estudo realizado em Wuhan6 – primeira cidade epicentro da doença, pesquisadores relataram nove nascidos vivos de mães positivas para COVID-19, e todas as amostras foram negativas para o vírus nos neonatos. Suas descobertas apoiaram que atualmente não há evidências de transmissão vertical em mães infectadas no final da gravidez6.

Embora o COVID-19 possa afetar indivíduos de todas as faixas etárias, a doença geralmente é mais leve em crianças do que em adultos, especialmente em neonatos7. Os sintomas clínicos mais comuns na população pediátrica incluem febre, fadiga e tosse seca. Alguns pacientes apresentam manifestações respiratórias superiores, como obstrução nasal, secreção nasal e dor de garganta, e outros apresentam sintomas gastrointestinais, como desconforto abdominal, vômito, dor abdominal e diarreia6.

Atualmente, não há evidências de que o Corona Vírus possa ser transmitido através do leite materno, mas é sabido que uma mãe infectada pode transmitir o vírus através de gotículas respiratórias durante a amamentação8. Em estudo realizado com seis recém-nascidos de mães infectadas, que amamentavam seus bebês, todas as amostras foram negativas para o vírus6.

O fonoaudiólogo que necessitar avaliar bebês de puérperas confirmadas e/ou suspeitas de COVID-19 devem seguir as recomendações de uso de utensílios de proteção como os demais profissionais de saúde: gorros, óculos de proteção, roupas de proteção, luvas, máscaras N95. Neonatologistas orientam que nenhuma visita deve ser permitida para neonatos com diagnóstico, ou com mães com suspeita ou diagnóstico de COVID ‐ 197. As orientações para a amamentação da Sociedade Italiana de Neonatologia (SIN), endossadas pela União Europeia de Neonatologia e Sociedades Perinatais (UENPS) são: se uma mãe previamente identificada como COVID ‐ 19 positiva ou sob suspeita para COVID ‐ 19 for assintomática no momento do parto, a amamentação direta é aconselhável, sob rigorosas medidas de controle de infecção; e quando uma mãe com COVID-19 está doente demais para cuidar do recém-nascido, o recém-nascido será tratado separadamente e alimentado com leite materno expresso fresco, sem a necessidade de pasteurizá-lo, pois não há evidências de que o leite humano seja possível transmissor do COVID-199.

Segundo o Centro de Controle de Prevenção de Doenças (2020) medidas devem ser tomadas para diminuir a chance de transmissão viral durante a amamentação, como: evitar beijar o recém-nascido, protegê-lo da tosse adulta, utilizar máscara durante a amamentação, higienizar as mãos antes da mamada e suspender as visitas. Ainda, quando o bebê estiver em alojamento conjunto com a mãe doente, o bebê deve permanecer a uma distância de no mínimo 2 metros da mãe, com a presença de uma barreira física entre eles, como por exemplo, uma cortina9,10. A OMS orienta também que sejam limpas e desinfetadas regularmente as superfícies que a mãe contaminada tenha contato1.

Quanto ao armazenamento de leite humano, a OMS recomenda que mães com suspeita ou confirmação de COVID -19 utilizem os mesmos cuidados indicados na hora da amamentação: higienização das mãos, uso de máscara, desinfetar superfícies de contato. Indicam que o recipiente que recebeu o leite humano deve ter a parte externa desinfetada após a extração do mesmo, com soluções sanitárias adequadas, antes do armazenamento em bancos de leite, enfermarias ou na residência da própria puérpera11. Com a propagação da doença, e o crescente número de gestantes e puérperas que poderão apresentar os sintomas – mas em testagem do vírus – a recomendação da OMS é de que todas as puérperas que doam e que recebem leite dos bancos de leite humanos sigam essas recomendações de higiene pré, peri e durante o recebimento do frasco. Ainda, para mães infectadas com o COVID- 19 que precisarem extrair o leite em ambiente hospitalar com uso de bombas, esses aparelhos deverão ser de uso individual dessa puérpera11,12.

São poucas e frágeis as evidências a respeito do COVID-19 e a amamentação até o momento, assim como frente à outras áreas. A ciência vai tomando forma e as instituições elaborando suas recomendações de acordo com o curso de evolução da doença. Identificou-se que a amamentação é, até o momento, indicada nos casos de suspeita e confirmação da COVID-19, com controle de infecção9-11 e higienização. Além disso, todas as mães que doam e que recebem leite de bancos de leite humanos devem realizar desinfecção dos frascos antes de manusear, mesmo que essa não apresente sintomas do vírus.

A Sociedade Brasileira de Pediatria referiu em nota, ser favorável à manutenção da amamentação em mães portadoras do COVID-19, diante das atuais evidências13. O fonoaudiólogo como membro atuante na Educação em Saúde, apresenta atuação e intervenção positiva na orientação da amamentação14, deve estar atualizado e acompanhando as novas recomendações das grandes organizações internacionais, assim como o odontólogo e demais profissionais da saúde, pois a amamentação adequada estimula o crescimento e desenvolvimento craniofacial harmonioso15.

Referências

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Submetido em:
24/04/2020

Aceito em:
24/04/2020

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